Nutrição e Saúde Animal

Enterite necrótica em aves: um problema de bilhões de dólares

Para ler mais conteúdo de avinews Brasil 4 TRI 2025

O que é a enterite necrótica?

A enterite necrótica é uma das patologias mais comuns e economicamente avassaladoras para a avicultura mundial. Esta doença intestinal, que afeta cerca de 40% dos lotes comerciais de frangos de corte em todo o mundo, pode causar índices de mortalidade de até 50% em casos de surtos clínicos. O custo para o setor é estimado em US$ 5 ou US$ 6 bilhões por ano. A enterite necrótica afeta principalmente frangos de corte com 2 a 5 semanas de vida, criados em cama, e normalmente persiste entre 5 e 10 dias nos lotes afetados.

Embora a forma clínica da doença seja grave, a forma subclínica geralmente passa despercebida e afeta silenciosamente o desempenho e a rentabilidade das aves. O baixo desempenho pode resultar em perdas económicas estimadas em US$ 0,05 a US$ 0,06 por ave, tornando-se assim uma carga silenciosa, porém onerosa para os produtores. Além da mortalidade, a enterite necrótica afeta significativamente a absorção de nutrientes, as taxas de crescimento, a conversão alimentar e o bem-estar dos animais.

  • A doença é causada pela proliferação de Clostridium perfringens, uma bactéria gram-positiva formadora de esporos e comumente encontrada na microbiota intestinal normal. Os esporos são altamente resistentes a diferentes fatores de estresse ambiental, como calor, agentes desinfetantes e luz ultravioleta, o que permite que a bactéria perdure no ambiente típico das granjas avícolas.

Embora o C. perfringens habite normalmente no intestino sem causar danos, alguns fatores predisponentes alteram o ambiente intestinal e causam uma sobrecarga bacteriana, com a respectiva produção de toxinas. Os fatores desencadeantes incluem: parasitas intestinais, imunossupressão, mudanças na dieta e alterações na microflora intestinal devido ao uso de antibióticos ou vacinas.

A doença está associada principalmente às toxinas produzidas por C. perfringens tipo A, especialmente a toxina alfa, e a uma toxina NetB formadora de poros, descoberta mais recentemente, que danifica as células intestinais causando a necrose característica, também conhecida como morte do tecido.

A tempestade perfeita: fatores que influenciam a enterite necrótica

A doença se inicia quando as bactérias nocivas destroem as células que revestem o intestino, causando a morte do tecido e a distensão pela formação de gases, deixando o intestino frágil e cheio de um fluido fétido. Em alguns casos, aparece uma membrana amarelada na luz do intestino que se assemelha a uma ‘toalha turca’. As aves podem apresentar sinais de diarreia, desidratação, penas eriçadas e redução do apetite, ou podem também morrer repentinamente sem sinais claros prévios.

Diversos fatores afetam o início e a gravidade da enterite necrótica:

  • Nutrição: As proteínas não digeríveis presentes na dieta, como a farinha de carne e ossos ou a farinha de peixe, aumentam a disponibilidade de proteínas na porção inferior do intestino, fornecendo substrato para a fermentação bacteriana. Dietas ricas em fibras, com altos níveis de proteína ou dietas viscosas podem agravar a doença.
  • Coccidiose: Os danos intestinais causados por coccidia ou pela vacinação alteram o revestimento intestinal, permitindo que as proteínas plasmáticas se infiltrem no intestino e apoiem o crescimento bacteriano.
  • Micotoxinas: As toxinas fúngicas presentes em algumas rações afetam a integridade intestinal e a função imune, aumentando a suscetibilidade às infecções e criando um ambiente favorável à sua proliferação.
  • Práticas de manejo:  Os biofilmes existentes nas instalações hidráulicas protegem o C. perfringens da ação de desinfetantes e antibióticos, contribuindo para a persistência da bactéria. O manejo inadequado dos resíduos, pouca exposição precoce ao desafio controlado de enterite necrótica, além da superlotação, elevam o risco da doença.

Fortalecer as estratégias de prevenção e controle  

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As estratégias eficazes de prevenção e controle estão voltadas a limitar o crescimento excessivo de Clostridium perfringens, abordando os diversos fatores que apoiam sua proliferação. A nutrição específica desempenha um papel-chave nesse sentido, uma vez que as dietas ricas em proteínas não digeríveis, fibras ou aminoácidos pouco balanceados podem criar o ambiente ideal para bactérias nocivas, aumentando a disponibilidade de proteínas na porção inferior do intestino.

A suplementação com probióticos também é chave, especialmente quando se aplica no início da vida do animal. Ao estimular o crescimento de bactérias benéficas no intestino, os probióticos favorecem o desenvolvimento saudável do trato digestivo e reduzem o risco de colonização por patógenos.

Próximos passos

Estratégias como a vacinação e a suplementação com probióticos, que favorecem o desenvolvimento da microbiota e do trato gastrointestinal, além do uso de anticoccidianos, podem ajudar a limitar o risco.

PoultryStar®, por exemplo, permite manter uma boa integridade intestinal, minimizando a passagem de microrganismos para a corrente sanguínea.

Já o Symphiome™, uma mistura complexa de glicanos, tecnicamente definido como Biótico de Precisão, foi desenhado para otimizar o poder do microbioma através da modulação de vias funcionais específicas e altamente conservadas, melhorando a saúde e o desempenho nutricional.

Com Mycofix®, a redução do risco de micotoxinas implica controlar a contaminação das rações com fungos que afetam a integridade intestinal [KN1], reduzem a imunidade e aumentam a infiltração de proteínas no intestino, favorecendo assim o crescimento bacteriano. Além disso, as práticas de manejo dos lotes, como o controle das taxas de crescimento nos estágios iniciais de vida dos animais, a otimização da temperatura nos incubatórios, o controle da qualidade da cama e a manutenção de ambientes limpos ajudam a reduzir significativamente a exposição a patógenos.

Outras formas de gestão, como Verax™ , fornecem ferramentas importantes para fortalecer as estratégias de prevenção da enterite necrótica. Com informações detalhadas e embasamento científico sobre a saúde das aves, é possível monitorar o equilíbrio microbiano, identificar os sinais precoces de disbiose e, ainda, avaliar o impacto dos aditivos alimentares ou as práticas de manejo, facilitando assim uma tomada de decisão mais precisa.

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