
O CONCEITO DE FIBRA ALIMENTAR TOTAL
Fisiologicamente, a fibra é definida como o conjunto de carboidratos que não são digeridos e absorvidos no trato intestinal superior, chegando intactos ao cólon ou ceco.
Então, o Codex Alimentarius em 2005 definiu fibra alimentar como “polímeros de carboidratos com um grau de polimerização não inferior a 3, que não são digeridos e/ou absorvidos no intestino delgado”.

Porém, no contexto da nutrição animal, o uso da palavra fibra é amplo, confuso e quimicamente mal definido (Choct, 2015).

Segundo Choct (2015), a definição de fibra alimentar causa enorme controvérsia, porque também houve inúmeras definições, às vezes confusas, ao longo dos anos; incluindo definições baseadas em efeitos fisiológicos e métodos de determinação.


Para adotar esse conceito de fibra alimentar total, novas matrizes nutricionais devem ser desenvolvidas para:


Tal abordagem direciona melhor a próxima etapa, como a definição de fibra e de seus componentes PNA, e, portanto, a um melhor entendimento de como a composição e as características da fibra podem afetar o desenvolvimento intestinal, a fermentação no trato intestinal inferior, e, consequentemente, o desempenho animal.

NIR COMO UMA FERRAMENTA PARA CARACTERIZAR A FIBRA ALIMENTAR TOTAL
A tecnologia NIR utiliza luz infravermelha próxima para predizer, de forma rápida e fácil, a qualidade nutricional dos ingredientes e das rações para animais.


Avanços recentes na tecnologia de calibração NIR permitem a predição de nutrientes adicionais, como:



ESTUDO
Para entender melhor a fibra alimentar total em diferentes ingredientes para alimentação animal, a AB Vista:




RESULTADO
Como resultado, a AB Vista desenvolveu um conjunto de calibrações NIR que podem ser usadas para predizer parâmetros relacionados à fibra alimentar total, incluindo:






As calibrações NIR podem ser usadas para predizer esses parâmetros em ingredientes para ração com ótima precisão.
A Figura 1 mostra o conteúdo típico de PNA insolúvel, solúvel e total em uma variedade de ingredientes para a ração. Mais importante ainda, é a variação regional e sazonal do PNA total e insolúvel que pode ser efetivamente monitorada havendo um equipamento NIR no local.
Conteúdo de PNA Insolúvel, Solúvel e Total em Matérias Primas (%)

Figura 1: Conteúdo de PNA insolúvel, solúvel e total de uma variedade de ingredientes comumente usados para rações, conforme a predição pelo NIR. Adaptado de Gomes et al., 2020
COMO REDUZIR OS EFEITOS ANTINUTRICIONAIS DA FIBRA ALIMENTAR E POTENCIALIZAR SEU IMPACTO POSITIVO?

Historicamente, os mecanismos pelos quais uma xilanase era usada concentravam-se no:



Mas, atualmente, sabe-se que esse não é o efeito mais importante da enzima. A proporção de fibras solúveis nos ingredientes diminuiu ao longo do tempo e a nova geração de xilanases é capaz de fornecer outro efeito aos animais devido à maneira de quebrar a cadeia dos arabinoxilanas.

Essa alteração na solubilidade da fibra de cereais nos últimos anos, reduzindo o impacto desta fibra solúvel na viscosidade intestinal, não tornou irrelevante o uso de carboidrases. Na verdade, abriu caminho para perceber que até então, o impacto da fibra na nutrição de monogástricos quase não era considerado:


Atualmente, o uso de enzimas exógenas é atribuído à sua capacidade de degradar os elos que ligam as cadeias fibrosas, gerando frações de menor grau de polimerização denominadas xilo-oligossacarídeos (XOS), gerando um caminho para o desenvolvimento da microbiota intestinal (Ribeiro et al. al., 2018).

Tais oligossacarídeos têm um efeito positivo sobre o microbioma que coloniza a porção distal do trato gastrointestinal. Portanto, os efeitos benéficos resultantes da inclusão de β-1,4-xilanases em dietas à base de cereais podem resultar em:


Nem todas as enzimas produzem XOS com o grau correto de polimerização para o qual o microbioma tem um apetite maior, enquanto alguns produtos podem até hidrolisar esses oligossacarídeos em açúcares livres e reduzir esses efeitos benéficos.
Esses XOS consumidos pelo microbioma serão os precursores de um melhor desenvolvimento do microbioma degradador de fibras e, como a fermentação de carboidratos requer um processo lento de adaptação, não é fácil manter um equilíbrio adequado da flora microbiana.
Quanto maior a nossa capacidade de determinar o microbioma conforme a idade, maior será a adaptabilidade de nossos animais e seu microbioma.
Além disso, o desenvolvimento desse microbioma degradador de fibra aumentará a produção de ácidos graxos voláteis (AGV), como ácidos acético, propiônico e butírico.

Esses ácidos são fontes de energia para enterócitos, que por sua vez, melhoram a saúde intestinal e, ao mesmo tempo, atuam como gatilhos para hormônios intestinais, como o PYY. Esse fator determinará uma melhora na digestibilidade das dietas, uma vez que aumenta a retenção de alimentos no estômago/moela.
Quando XOS obtidos em um grau específico de polimerização são associados as xilanases exógenas, uma forte ação estimulante é gerada das bactérias que degradam a fibra nas câmaras de fermentação distais de monogástricos, gerando o chamado efeito estimbiótico, um estímulo da microbiota do intestino grosso para degradar fibra.

ADITIVOS ESTIMBIÓTICOS
Dessa forma, podemos definir aditivos estimbióticos como aqueles que podem estimular um microbioma a degradar fibras e aumentar sua fermentabilidade, mesmo quando usados em doses claramente baixas. Isso permite uma contribuição significativa para a produção de ácidos graxos voláteis (AGV).

Esses fatos nos levam a considerar a estrutura do intestino, seu funcionamento ideal e como ele pode ser influenciado para melhorar a saúde e a produtividade animal.
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