O ponto cego da sanidade: por que olhar só para o patógeno está fazendo a avicultura perder desempenho
O ponto cego da sanidade: por que olhar só para o patógeno está fazendo a avicultura perder desempenho
Em um sistema cada vez mais intensivo, a sanidade deixou de ser apenas controle de doenças e passou a ser gestão de risco. Ainda assim, muitas operações continuam falhando em um ponto crítico: enxergam apenas o agente e ignoram a interação completa do sistema. Esse foi o tema da entrevista com Tobias Fernandes Filho, Gerente Técnico de Avicultura da Boehringer Ingelheim, durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA).
A conversa aconteceu no estúdio agriPlay, o espaço oficial de entrevistas com palestrantes e líderes do setor, e foi conduzida por Priscila Beck, Diretora de Comunicação da agriNews Brasil.
O principal erro, segundo Tobias, está na leitura simplificada do risco sanitário. A produção avícola opera dentro de uma lógica multifatorial, onde agente, hospedeiro e ambiente interagem de forma dinâmica e ignorar qualquer um desses pilares compromete a tomada de decisão.
“Acho que o principal ponto é a gente ter uma visão mais holística, mais global daquilo que compõe esse tripé epidemiológico.”
Na prática, isso explica por que duas integrações com protocolos semelhantes podem ter resultados completamente diferentes. Pequenas variações de ambiente, pressão sanitária ou manejo alteram o equilíbrio do sistema e tornam qualquer leitura isolada insuficiente.
Outro ponto crítico está na identificação precoce de falhas. Muitas operações só percebem problemas quando o impacto já chegou ao desempenho zootécnico, perdendo tempo de reação.
“Indicadores costumam ser mais sensíveis e te mostrar que, antes dos problemas acontecerem, esses indicadores já vão te mostrar que algo mudou.”
Monitorias sanitárias bem estruturadas, com histórico consistente e leitura de baseline, permitem antecipar desvios antes que eles se traduzam em perdas produtivas. É nesse ponto que a sanidade deixa de ser reativa e passa a ser estratégica.
Além disso, Tobias reforça que não existe programa eficaz sem execução consistente. Protocolos bem desenhados perdem valor quando não são aplicados com precisão no campo, especialmente em programas vacinais.
“Então uma execução bem feita de programas vacinais são a base da eficácia que a gente procura no campo.”
A atuação integrada ao longo da cadeia — do incubatório ao abate — também se torna diferencial. Quando há conexão entre dados sanitários e desempenho zootécnico, a tomada de decisão ganha consistência e previsibilidade.
O recado é claro: a avicultura já coleta dados suficientes. O desafio agora é transformar informação em decisão. Quem conecta sanidade e desempenho enxerga antes. Quem não conecta, reage tarde.
O ponto cego da sanidade: por que olhar só para o patógeno está fazendo a avicultura perder desempenho
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