Nutrição e Fisiologia da Digestão do Frango de Corte – PARTE I
Nutrição e Fisiologia da Digestão do Frango de Corte – PARTE I
Nestas próximas semanas, aprofundaremos nosso conhecimento sobre nutrição e fisiologia da digestão no frango de corte. Como o desenvolvimento do trato gastrointestinal é capaz de impactar todo o desempenho da ave?
A necessidade de alcançar e sustentar as melhorias no potencial genético é a força motriz por trás dos recentes avanços na nutrição de aves e houve um refinamento simultâneo na nutrição e alimentação de aves comerciais desde a eclosão. Como o período de crescimento dos frangos de corte modernos continua a encurtar, o manejo nutricional precoce do pintinho se torna cada vez mais importante para o sucesso. Hoje, a primeira semana representa 20–25% do período total de produção.

Apesar do expressivo número de estudos sobre a nutrição inicial de pintinhos recém-nascidos, ainda existem diversas lacunas no conhecimento. Muitos resultados são inconsistentes, o que reforça a necessidade de aprofundar as pesquisas sobre estratégias de manejo que promovam maior resiliência na primeira semana de vida. A digestão e a absorção de nutrientes envolvem mecanismos altamente complexos, com componentes que apresentam diferentes padrões de atividade ao longo do desenvolvimento pós-eclosão. A produção e a atividade de enzimas digestivas, assim como os sistemas de transporte de nutrientes, variam significativamente nesse período. Segundo diversas revisões, alguns desses aspectos ainda não foram totalmente explorados, e, diante da divergência entre dados publicados, não é possível compor uma visão integrada e precisa sobre o desenvolvimento digestivo no início da vida do pintinho.
Papel do saco vitelínico residual
Os lipídios da gema representam a principal fonte de nutrientes para o embrião, fornecendo mais de 90% da energia necessária para o desenvolvimento, bem como fornecendo uma variedade de componentes estruturais para a biogênese da membrana. O glicogênio armazenado no fígado e nos músculos do embrião em desenvolvimento é a principal fonte de energia durante o processo de eclosão.
No pintinho recém-nascido, há uma rápida absorção do material residual da gema e apenas uma quantidade vestigial permanece após o dia 4. Nir et al. descobriram que a gema residual diminuiu rapidamente de 11% do peso corporal na eclosão para 2% no dia 2 e era insignificante no dia 4.
Quando não há acesso à alimentação, o pintinho recém-nascido pode potencialmente usar os lipídios residuais da gema como fonte primária de energia. Noy e Sklan estimaram que a gema representa cerca de 20% do peso corporal do pintinho e contém cerca de 50% de lipídios, fornecendo energia imediata após a eclosão.

Crescimento e desenvolvimento do trato gastrointestinal
Após a eclosão, o pintinho passa por uma rápida transição nutricional, migrando da utilização de lipídios presentes no saco vitelínico para uma dieta predominantemente rica em carboidratos. Para sustentar seu acelerado crescimento e metabolismo, o sistema digestivo precisa estar preparado para digerir e absorver os nutrientes exógenos de forma eficiente. Por isso, há uma prioridade fisiológica no desenvolvimento do intestino, assegurando a capacidade de atender às exigências nutricionais. Além da morfologia do trato gastrointestinal, é essencial que as funções de barreira intestinal e o sistema imunológico estejam plenamente funcionais durante esse período crítico.
Além disso órgãos associados tem um acelerado crescimento nos primeiros dias pós eclosão. Os pesos do proventrículo, moela e intestino delgado aumentam mais rapidamente em relação ao peso corporal do que outros órgãos e tecidos. A massa do intestino delgado aumenta quase seis vezes nos primeiros 7 dias.
Maturação da Mucosa Intestinal
A funcionalidade do TGI está estritamente relacionada à sua estrutura microscópica. A arquitetura do TGI não é bem desenvolvida durante a primeira semana de vida, mas amadurece rapidamente com o avanço da idade. Os aumentos dramáticos pós-eclosão observados no peso e no comprimento do intestino delgado podem ser considerados triviais quando comparados ao crescimento da mucosa intestinal. As mudanças na altura das vilosidades, na profundidade das criptas e na espessura da submucosa contribuem muito para a absorção de nutrientes para atender às demandas do pintinho recém-nascido.

Uni et al. descobriram que a altura e a área das vilosidades aumentaram rapidamente em taxas diferentes nos três segmentos intestinais em 25–100% entre os dias 4 e 10 pós-eclosão e os aumentos foram particularmente evidentes no jejuno e no íleo. A profundidade da cripta, que reflete a atividade dos enterócitos, aumentou até o dia 10. Da mesma forma, Uni et al. relataram que o desenvolvimento das vilosidades e criptas jejunais ocorre rapidamente nos 4 a 5 dias seguintes à eclosão, com a maioria das células epiteliais proliferando neste ponto.
Iji et al. descobriram que, embora a mucosa intestinal estivesse estruturalmente presente na eclosão, ela amadureceu rapidamente com a idade por meio da rápida proliferação celular inicial, hipertrofia e uma taxa aumentada de migração. A taxa de proliferação celular atingiu o pico aos 7 dias de idade e a migração celular atingiu o pico aos 14 dias de idade.

A seleção genética contínua para crescimento mais rápido foi acompanhada por mudanças no desenvolvimento e na arquitetura do trato gastrointestinal. Yamauchi e colaboradores da Universidade de Kagawa, no Japão, examinaram o desenvolvimento e a maturação de segmentos intestinais de diferentes linhagens de frangos em uma série de estudos. Seu trabalho confirmou as diferenças marcantes entre frangos de corte de crescimento rápido e pintinhos poedeiras de crescimento lento, com os pintinhos de corte tendo intestinos de maior comprimento, peso e área de superfície.
Em resumo, o crescimento da mucosa intestinal por meio da proliferação e hipertrofia celular é rápido durante a primeira semana de vida. A taxa de crescimento varia entre os segmentos intestinais, mas todos atingem o ritmo máximo de desenvolvimento entre os dias 7 e 14.
Na próxima edição, compreenderemos mais sobre as secreções gastrointestinais!
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O artigo completo está disponível em Open-Acess pelo link https://www.mdpi.com/2076-2615/11/10/2795
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